Número de pessoas deslocadas no mundo atinge  quase 80 milhões

De acordo com o relatório de Tendencias Globais, divulgado nesta quinta feira (18), pela agência da ONU para refugiados (Acnur), em dezembro de 2019 79,5 milhões de pessoas se encontravam em situação de deslocamento o mundo.

O número é alarmante. Representa quase o dobro dos 41 milhões de indivíduos enquadrados nessa situação em 2010. Isso corresponde a aproximadamente 1% da população mundial.

Além de refugiados e solicitantes de refúgio, o balanço leva em conta pessoas que foram forçados a se deslocarem dentro do próprio país.

Considerando apenas refugiados e solicitantes, o número cai para 33,8 milhões de cidadãos. O que não torna a situação menos delicada.

Aumento do numero de pessoas deslocadas no mundo

Aumento do número de refugiados no Brasil
Foto: Reprodução

O levantamento da Acnur considera as pessoas que deixaram suas casas para fugir de perseguição, violência, conflito e violações de direitos humanos.

Em comparação com o relatório anterior, houve um acréscimo de aproximadamente 9 milhões de deslocados.

Segundo a Acnur, os principais fatores que explicam esse aumento de 12% são:

  • Continuidade dos conflitos na República Democrática do Congo, no Iêmen, na Síria e na região do Sahel, no norte da África.
  • Mapeamento dos cidadãos da Venezuela que cruzaram as fronteiras para fugir das violações de direitos humanos.

Caos total

Se o número total de refugiados assusta, saber que 68% saíram de apenas 5 países torna essa situação ainda mais alarmante para pessoas que residem nessas regiões.

O relatório ainda aponta que devido a demora na resolução das situações, os refugiados passam mais tempo distante do país de origem – isso quando conseguem retornar para as suas casas. É o caso da Guerra da Síria, que se arrasta desde 2011.

Os números podem explicar os fatos. Enquanto a 1990 registrava cerca de 1,5 milhões de refugiados que retornavam aos países de origem por ano, nos 10 últimos anos essa taxa anual caiu para 390 mil retornos.

Para o porta-voz da Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho, a continuidade das crises demonstra uma tendência:

“Não é mais um problema de curto prazo. O refúgio está consolidado na realidade de internacional como uma questão de longo prazo.”

Luiz Fernando Godinho
Divulgação/Antonio Cruz

Uma outra tendência que os estudos apontam é que os refugiados e solicitantes de refúgio costumam procurar países vizinhos.

Com 1,8 milhões de refugiados, a Colômbia, por exemplo, tornou-se o segundo país com maior número de pessoas nessa situação em virtude da crise da vizinha Venezuela.

Aumento do número de refugiados no Brasil

Aumento de refugiados no Brasil
Reprodução/ Ricardo Moraes

O número de refugiados no Brasil é um reflexo da crise na Venezuela. De acordo com o balanço do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) publicado na semana passada, atualmente o país conta com cerca de 43 mil estrangeiros nessa condição. Desse total, aproximadamente  88% são venezuelanos. Quase todos foram aprovados nos últimos seis meses.

Segundo o comitê, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, três levas de aprovação dos pedidos feitos por venezuelanos explicam o aumento: uma em dezembro, uma em janeiro e outra em abril — essa, destinada a um contingente de filhos de refugiados da Venezuela.

Uma das razões que explicam a velocidade com que os pedidos têm sido aprovados é que atualmente o Conare classifica o país vizinho como situação de “grave e generalizada violação de direitos humanos”.

Ainda de acordo com Luiz Fernando Godinho, a medida atende às recomendações da agência:

“É um ponto positivo do Brasil, que seguiu uma recomendação da Acnur dada a outros países da região para os venezuelanos.”

Segundo números consolidados em 31 de maio, 193.737 pedidos de refúgio no Brasil ainda estão em andamento no Conare. Desses, mais de 104 mil solicitações são de venezuelanos. O que representa 53,7% do total.

Refugio e pandemia no mundo

Refugio e pandemia no mundo
Divulgação/Alkis Konstantinidis

Os dados de refúgio e deslocamento interno no mundo não levam em consideração a pandemia do novo coronavírus. Ainda assim, a Acnur já reconhece os efeitos da Covid-19 nessa população.

Ainda de acordo com a agência, houve uma queda de 43% nos pedidos de refúgio feitos a países da União Europeia. Um dos fatores que explicam esses números é o fechamento das fronteiras em virtude da pandemia.

Dados do monitoramento da Universidade Johns Hopkins apontam que o mundo tinha 8,3 milhões de casos do novo coronavírus nesta quarta-feira (17). O número de mortes no planeta pela Covid-19 chegou a 447 mil.

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